Tirei os sapatos e o meu casaco, enquanto assistia Renné dormir sem que qualquer coisa pudesse acordá-lo.
Mal se mexia, e foi difícil conseguir levantá-lo e segurá-lo para chegarmos ao banheiro.
Ele gemia a todo instante, e tive certeza de que ele precisava ao menos vomitar para se livrar do todo aquele mal estar.
- Renné, vem! – Eu passava seu braço esquerdo pelos meus ombros.
- Hum... quero dormir... – Ele mal conseguia se manifestar.
- Renné, você não ta me ajudando! Força, vai... – Eu insistia, caminhando com ele da sala pro banheiro.
- Sophie? Você me aachaa uma bichonaa? – Renné ainda estava sob grande influência do álcool.
- Renné, não diga asneiras! Vai, tira a camisa! – Eu ignorei o que Renné acabara de me dizer, enquanto tirava seu tênis e sua camiseta xadrez.
- Hum, Sophie danadinhaa... quer me ver nu! NÚ! Você nunca me viu nu! Hahaha, o Jorge já...
- Renné! Chega! Me ajuda a tirar sua calça! – Eu tentava manter Renné de pé.
Coloquei Renné embaixo do chuveiro sem que ele sequer pudesse relutar contra.
Baixou a cabeça e deixou que a água caísse, sem sentir o frio.
Desliguei o chuveiro e o enrolei com uma toalha roxa pendurada ali. Coloquei novamente seu braço em volta do meu pescoço e segui com ele para o quarto.
Ele conseguiu forças para dar passos em direção a cama, e em seguida caiu nela sem nem despir a samba-canção molhada que usava.
Pendurei a toalha nos meus ombros e sai em direção ao banheiro, para arrumar toda a bagunça que havia ali.
- Sooophie! – Renné quase não tinha forças pra gritar.
Corri até o quarto.
- O que? Ta bem? – Me assustei, mas quando cheguei lá ele continuava deitado, quase sem se mexer.
- Fica aqui comigo? – Não quero ficar sozinho... – Ele me parecia o típico bêbado carente.
- Tudo bem – Senti uma pontinha de pena.
Deitei ao lado de Renné, tentando empurrá-lo para o outro lado, para que ele me desse espaço.
Ficamos deitados, virados de frente um para o outro.
Pensei nele, em como havíamos sido no passado, em como éramos naquele momento; e acabei me lembrando do Beto. Tirei o celular do bolso da calça e não havia mais nenhuma chamada perdida. Me virei de costas para Renné, e me encolhi, tocando meu calcanhar.
Renné se aproximou e me abraçou.
E tenho que admitir... Fiquei inquieta com Renné me abraçando daquela maneira. Me remeteu uma das sensações mais estranhas e confortáveis que já tive. De tão perplexa, mal pude pegar no sono.