Logo que o radio relógio despertou, me levantei e cambaleei até a cozinha.
A claridade do apartamento de Renné sempre me faz arder os olhos, especialmente em um dia de calor propício como aquele estava parecendo que seria.
Abri a geladeira e notei que nela não havia muito além de meio litro de leite, e alguns congelados.
Calcei meu tênis e vesti meu casaco. Me limitei a arrumar somente as coisas que eu mesma havia tirado do lugar. Deixei o resto por conta de Renné, quase como um castigo, mesmo sabendo que ele não se importava tanto com a limpeza de seu próprio apartamento.
Voltei ao quarto e tentei me despedir.
- Renné, estou indo.
Deitado de bruços, tudo o que eu pude ouvir foram gemidos leves e sussurros providos de algum sonho que ele estaria tendo.
- Renné... me ouviu? Eu disse que estou indo – Eu insisti. Sem resultados.
Desisti de tentar acordá-lo. Segui até o corredor e peguei um bloquinho de papéis amarelos que encontrei ao lado do telefone sem fio. Busquei uma caneta na minha bolsa, no sofá ao lado, e pensei em algo breve pra justificar minha ausência.
‘’Tentei te acordar, mas não consegui. As tequilas te fizeram um estrago grande de ontem pra hoje. Vou resolver alguns assuntos no centro, sabe como é... última semana de férias do trabalho, então tenho que aproveitar o tempo livre. Te ligo amanhã’’.
Pendurei o bilhete na fechadura da porta da sala, com durex. Pelo menos ali, eu sabia que Renné o acharia.
Desci até o hall do prédio, e como de costume, o porteiro acenou da janela de vidro da guarita. Retribuí o aceno e segui até a avenida principal, pra pegar um ônibus.
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